"Eu sou aguardente, podem me rotular
definam o meu gosto, sabor, paladar
composição química, graduação, destilação
bosta, tripa, pus, catarro, secreção
Rotule - me - Já!"
Mukeka di Rato - Rótulo
A gente tem mania de rotular as coisas. Tudo, tudo mesmo, até as pessoas a nossa volta.
Rotular coisas até que é fácil. Ou o chocolate é ao leite ou tem amendoim, ou a bolacha é de baunilha ou de morango, pronto, simples assim.
Mas pessoas... aí complica. Humano é tão complexo, que com uma palavra só não dá pra dizer tudo. Às vezes é difícil da gente descrever a nós mesmos (já teve alguma vez que você foi lá atualizar o seu perfil no orkut, viu aquela perguntinha "quem eu sou:" e ficou se perguntando o que/como escrever?). Imagina então falar de uma pessoa que você só viu uma vez, por pouco tempo, e nem deu tempo pra conversar? Não dá pra dizer nada.
Só que mesmo sabendo disso, a gente não tem como evitar. É só ver aquela menina de franjinha e camiseta preta pra falar que ela é emo, ver aquele garoto de corrente e bermudão pra falar que ele é maloqueiro. É difícil de se conter. Eu sei bem disso, porque é uma mania minha me decidir se eu gosto ou não de alguém baseada em primeiras impressões. E como eu erro! A minha melhor amiga é uma menina que eu não fui com a cara quando eu conheci, e não gostava dela durante um tempão. Meus amigos do cursinho são pessoas que eu não achei interessantes da primeira vez que eu vi. Já pensou se eu não tivesse dado um chance pra eles? Eu tava ferrada.
Porque aquela menina de franjinha pode até gostar de emo, mas ela pode gostar de chico buarque e novela também. O menino de bermudão pode ser um cara muito inteligente que faz faculdade de direito. Enfim, ninguém pode saber como outra pessoa é só de olhar uma vez e pronto. Às vezes tem pessoas que você conhece a anos, e mesmo assim não sabe tudo sobre elas, imagina pessoas que você conhece a cinco minutos.
Isso foi uma das coisas que eu aprendi quando eu vim pra São Paulo. Antes eu tinha a mania de estabelecer pré-conceitos sobre os outros, achando que eu era muito esperta. Esse ano, depois de conhecer tanta gente nova, eu entedi que as coisas são muito mais complicadas. Até quando eu vou falar de mim, eu não consigo achar um "rótulo". Já desisti. Rótulo eu deixo pra refrigerante.
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espero que eu consiga!
(depois eu explico. não vou contar agora pra não dar azar! hehe).
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update para a frase da semana:
Victor, meu primo, diz:
"Estou muito feliz por estar na cama dividindo a minha bala de goma com você. São as pequenas coisas da vida que se tornam as mais memoráveis lembranças."
ps.: não foi cometido um incesto. ele estava na cama, e eu na cadeira, tá?